Peças e Ferramentas


Parafusos

São pequenas peças que se usam para unir componentes entre si, ou prendê-los a um terceiro componente. A sua parte principal é a rosca que possui ao longo de todo o seu corpo, podendo ter ou não uma cabeça.

A cabeça do parafuso serve para que se possa fixá-lo no seu local e, ao mesmo tempo, auxilia a fixão dos componentes. Do outro lado dos componentes, pode-se ter uma porca que completa a sua fixação; outras vezes, uma rosca no próprio componente serve para completar a fixação.

Poderíamos, pois, dividir os parafusos em vários tipos, porém os mais comuns são dois: um que serve para fixar um componente em outro; e o que fixa dois ou mais componentes entre si.

Neste útimo caso, utiliza-se uma porca como elemento auxiliar. A cabeça do parafuso normalmente, apresenta-se com seis lados; por isso, chama-se sextavado. Existem também parafusos com a cabeça quadrada, mas os sextavados são mais comuns.

Bastante utilizado também em motores é um tipo especial de parafuso, que não possui cabeça. O seu corpo possui duas roscas, em vez de uma. Usam-se, por exemplo, para fixar o cabeçote de um motor ao seu bloco. O bloco possui uma rosca confeccionada no seu próprio corpo, na qual se prende o parafuso, ficando de fora, apenas a rosca superior. Em seguida monta-se o cabeçote e colocam-se as porcas sobre os parafusos. Apertam-se as porcas, mas os parafusos não se mexem, porque estão firmemente presos, agora pela rosca.

Quanto mais se apertam as porcas, tanto mais o parafuso se fixa no bloco. Existem alguns casos específicos em que apenas este tipo de parafuso pode ser usado. Imagine o aluno outra forma de prender o cabeçote ao bloco, e verá que não há soluções fáceis.

Os parafusos deste tipo são conhecidos pelo nome de prisioneiros. Existem ainda os parafusos auto-atarraxantes, que são mais usados para madeira, mas que encontram também bastante aplicação nos veículos, principalmente ao prender-se chapas.

Parafuso Auto-atarraxante

Os parafusos deste tipo tem um formato cônico. Começam com uma ponta fina e, a seguir, vão engrossando. A rosca para estes parafusos fica sendo a chapa, porque eles escavam a sua própria rosca , a medida que são rosqueados.

Roscas

As roscas são feitas nas oficinas, com ferramentas especiais. As fábricas de parafusos possuem máquinas especiais para isso, porém, muitas vezes, o mecânico tem necessidade de fazer uma, em sua oficina, para isso existem algumas ferramentas especiais, como veremos adiante, as quais variam de diâmetro e comprimento.

Para evitar que cada fábrica fizesse uma rosca diferente, os engenheiros procuraram padronizar os tipos de roscas que mais interessavam. Os primeiros a cuidar dessa padronização foram os engenheiros americanos e, por isso, até hoje ainda ainda se utilizam, no Brasil os tipos de rosca criados por eles, principalemente nas fábricas de origem americana. Por outro lado, as fábricas de origem alemã e francesa utilizam as normas no sistema métrico. Por essa razão encontramos no Brasil roscas em polegadas e em milímetros.

As roscas são conhecidas pelo seu tamanho (diâmetro da rosca), pelo número de filetes em cada centímetro ou polegada, e pela grossura do filete (rosca fina ou grossa). Tamanho: Vem a ser o diâmetro da rosca, medido por fora dos filetes. Temos diâmetros em polegadas, tais como 1/4″, 1/2″, 3/8″, ou milímetros, tais como 6 mm, 8 mm.

Número de filetes: É uma característica que também precisa ser conhecida, ao comprar-se um para uma determinada finalidade. A classificação completa pelo número de filetes engloba 6 tipos.

Porcas

São as partes complementares dos parafusos. Os dois, trabalhando juntos, fixam os componentes desejados. Algumas vezes, antes da porca, é colocada outra pequena peça, a arruela que mostraremos adiante.

A arruela tem por finalidade evitar que a porca escape do parafuso, por causa da trepidação. Com a mesma finalidade, também, usa-se, em outras ocasiões, uma pequena peça, chamada cupilha. Algumas vezes, ainda, com o mesmo objetivo de evitar que a porca escape do parafuso, utilizam-se duas porcas sobre o mesmo parafuso. A segunda, chamada contraporca, é apertada firmemente contra a primeira, evitando que ela escape.

Cupilha

São usadas com as porcas do tipo castelo ou sextavada com ranhuras. O parafuso possui um furo, através do qual se introduz a cupilha. Após atravessar o parafuso, abrem-se as duas pontas da cupilha e a porca fica impedida de se movimentar.

Arruelas

São pequenos anéis que se colocam entre a porca e o parafuso, ou por baixo da cabeça do parafuso. Existem dois tipos básicos de arruelas: as arruelas chatas e as arruelas de pressão.

As primeiras são usadas quando se deseja que o componente a ser fixado não entre em contato com a porca (ao prender um cabinho elétrico). O segundo tipo de arruela é utilizado para evitar que a porca escape do parafuso, com a trepidação.

Anéis de trava

Possuem a finalidade de impedir o movimento de um eixo para os lados. Podem ser anéis externos ou internos. Para montar um anel externo, é preciso usar um alicate que o abra. Os anéis internos possuem, nas suas extremidades, duas pequenas saliências, com as quais se pode fechar o anel, para que ele entre na sua ranhura.

Chavetas

Dispositivos usados para fixar engrenagens, polias, etc., ao seu eixo. É feito um entalhe no eixo e outro na peça a ser fixada a ele, por exemplo, uma engrenagem. Alinham-se os dois entalhes e, entre eles, é calçada uma pequena peça metálica, que é a chaveta. Assim, a engrenagem e o eixo ficam firmemente presos e giram juntos.

Eixos entalhados

É bastante usado também um sistema pelo qual dois eixos se fixam entre si e que consiste em escavar vários entalhes nos dois, de maneira que, ao colocar-se um dentro do outro eles fiquem firmemente presos.

Rebites

São usados quando se pretende que as duas partes a serem fixadas, em geral, duas chapas de aço, fiquem presas entre si de uma maneira mais ou menos permanente.

Os rebites possuem formato de um pino cilíndrico, com uma cabeça. São introduzidos no orifício que servirá para a fixação dos componentes, sendo a parte inferior martelada, de maneira a se abrir e fixar firmemente os componentes. São usados comumente na fixação das lonas de freio ou sapatas.

Polia

São discos metálicos ou de material plástico, com um local especial na sua parte externa, onde se pode alojar uma correia. As polias trabalham sempre aos pares ou em conjunto de três.

Uma das polias é motora, ou seja, é fixa num eixo de acionamento. Por meio de uma correia, essa polia aciona aciona outra, a qual por isso recebe o nome de acionada (movida). Desta maneira consegue-se transmitir o movimento de um eixo para outro.

Engrenagens

São também dispositivos para transmitir o movimento de um eixo para outro. Cada roda dentada se encaixa na outra roda. Quando uma gira (a motora), obriga a outra (a acionada) a girar também.

É interessante observar um fato importante, com relação às engrenagens e polias. As polias giram sempre no mesmo sentido, porque são ligadas pela mesma correia. Já às engrenagens podem girar em sentido contrário.

Quando se quiser, numa montagem de engrenagens, que dois eixos girem no mesmo sentido, será necessário que se use uma engrenagem intermediária.

Correntes

Algumas vezes, usam-se correntes para fazer que o eixo gireo outro. O sistema é o mesmo que de corrente de bicicleta. A corrente é formada por uma porção de pequenos elos, que são presos por pinos e se encaixam sobre os dentes de duas engrenagens que ficam presas aos eixos em questão. Estas engrenagens também são conhecidas como polias dentadas.

Corrente de transmissão

Mancais

Os eixos se apóiam sobre mancais, para poder girar. Os mancais podem ser de rolamento ou de bucha.

No mancal de bucha, o eixo se apóia sobre uma peça intermediária, feita de um metal mole, que permite ao eixo girar mais facilmente. A bucha é feita de material “bem mole”, para que, em caso de acidente (falta de lubrificação) ela se estrague, ao invés do mancal, que é uma peça de custo elevado. Conforme o caso a bucha tembém é chamada de casquilho ou bronzina.

Rolamento de esferas

Já o mancal de rolamento é usado para grandes esforços e altas rotações. Existem basicamente dois tipos: Os de esfera e os de roletes. Os de esfera são constituídos por várias esferas de aço entre dois anéis, atmbém de aço.

Rolamento de roletes

Os mancais de roletes, se usam quando o eixo fica sujeito a uma força lateral, que seria capaz de arrancar as esferas do rolamento anterior. Eles suportam melhor esse tipo de esforço.

Chave de fenda

Usada para apertar parafusos. Você deve atentar para o tipo de chave adequada para o aperto do parafuso. Entre os tipos, existe a chave tipo Philips, que tem uma fenda em cruz.

Martelos

São dois os tipos usados nas oficinas mecânicas. Temos os de plásticos e os de couro. Alguns martelos especiais são usados também como os de bronze.

Alicates

São usados com a função de dobrar ou torcer alguma peça. Apesar de serem ferramentas simples, os alicates não devem, também, ser usados impropriamente. Se, forem usados para soltar ou apertar um parafuso, com certeza o parafuso ficará marcado ou até danificado.

Chaves

As chaves de boca são as mais comuns e as mais usadas, mas outros tipos também são importantes, como as de soquete. As chaves de boca podem ser do tipo de boca aberta (chave fixa) ou boca fechada (chave estrela). Gravado no seu cabo elas trazem um número que representa a sua medida.

A principal vantagem da chave de boca fechada, é que sua extremidade pode ser fabricada mais fina, o que lhe permite entrar em locais apertados, onde as chaves de boca aberta não conseguem penetrar.

Já as chaves de soquete, tem a finalidade das outras, sendo que o soquete pode ser solto e trabalhar com diversos tipos de braços de conexão. Um dos tipos de braços possui uma catraca interne, com a qual ele gira num sentido, aperta o parafuso e, em sentido contrário, gira em falso. Quando se usa esse braço não é necessário soltar o soquete, cada vez que se vai dar um novo aperto. Basta voltar o braço.

Temos também a chave Allen, usada para apertar os parafusos de mesmo nome. Finalmente temos a chave inglesa, um tipo de chave de boca, que possui abertura regulável, servindo para qualquer parafuso, bastando apenas regular a abertura da boca. Tenha bastante atenção em utiliza-lá na posição correta, pois invertendo-se a sua posição, existirá o risco da chave quebrar sua parte móvel.

Chave de torque ou Torquímetro

Esse tipo de chave também é usado para apertar parafusos; damos-lhe um destaque especial, por se tratar de uma chave também especial. É uma ferramenta cara, porém as boas oficinas precisam tê-la, obrigatoriamente.

Exemplo de torquímetro

A chave de torque possui próximo ao cabo, um mostrador, que indica o aperto que está sendo dado ao parafuso. Em muitos parafusos, isto não é crítico, porque são parafusos de segunda importância; porém, certos parafusos devem ser apertados corretamente. Não acredite em mecânicos que se dizem “práticos” e já conhecem qual é o aperto certo. Para cada tipo de parafuso, o fabricante do veículo indica o valor correto do aperto a ser dado.

Punções

Usadas para marcar algum ponto, numa chapa, ou bater em algum rebite. São fabricadas de um aço bastante forte. A maioria tem a ponta temperada, para ficar mais dura ainda.

Saca-pinos

Existem dois tipos: um para iniciar a retirada de um pino qualquer, e outro para completar a retirada.

Lima

São ferramentas para desbastar uma peça, de maneira que ela fique com uma determinada forma. São usadas para acabamento final. Existem inúmeros tipos de lima, uma para cada finalidade, desde pequenas até grandes, com vários formatos e perfis.

Machos e Cossinetes

São duas ferramentas para se fazer roscas. Os machos servem para fazer roscas internas e os cossinetes, para roscas externas.

Brocas

São usadas para fazer orifícios. Possuem a forma de cilindro, sobre o qual é desenhada a parte cortante em forma de hélice. A ponta da broca é de forma pontiaguda, para servir de orientação a ela, quando estiver furando uma peça.

Extrator de Prisioneiros

Prisioneiros, como você sabe, são aqueles parafusos com duas roscas, uma em cada extremidade, muito usados para prender o cabeçote ao bloco do motor. Acontece, algumas vezes, que se quebra um destes prisioneiros e, pelo fato de não ter uma cabeça onde possa apoiar-se uma chave, não é fácil removê-lo.

Morsa

Consiste de uma peça fixa e outra móvel (que se move por ação de um parafuso). É montada sobre uma bancada e utilizada para prender firmemente uma peça sobre a qual se quer trabalhar.

Deve-se dispor também de duas peças sobressalentes, de material mole, para que, ao prender-se uma peça de material mole, o aperto suficiente para fixá-la, não a estrague, ao mesmo tempo. Estas peças são comumentes chamadas de nordentes.

Prensa

Usada quando existe a necessidade de colocar ou tirar, sob pressão, um eixo ou um rolamento.

Esmeril

Consiste de um rebolo de material especialmente duro (carborundum), que gira presa ao eixo de um motor elétrico. O rebolo se movimenta em alta rotação. Serve para afiar as ferramentas de uma oficina, tirar rebarbas de uma peça serrada; arredondar cantos de peças; etc

Fonte: PAULO RENATO – UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU


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